Candidatos têm até linha telefônica na declaração de bens

Os R$ 833,7 milhões em bens declarados pelos candidatos a presidente mostram que os políticos têm gasto seu dinheiro com compras relativamente comuns. Foram declarados 19 automóveis, 14 casas, 14 apartamentos.

São 10 os terrenos declarados pelos candidatos. Há, ainda, 3 imóveis em zona rural sem produção agropecuária, cujo nome técnico é “terra nua”. Uma chácara com casa, por exemplo, pode se encaixar nessa categoria.

Os números, porém, devem ser maiores. Henrique Meirelles declarou um apartamento de R$ 21.877.940,30, mas a cifra na verdade é a soma dos valores de quatro imóveis, segundo disse ao Terra a assessoria do ex-ministro. Isso teria sido feito por causa da ausência de um campo “apartamentos”, no plural, para preenchimento na declaração de bens, informa o Terra.

Outros candidatos declararam imóveis do tipo individualmente. De acordo com a assessoria de Meirelles, esse problema deverá ser resolvido quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedir o detalhamento das declarações.

Bens incomuns

Mas também há patrimônios pouco usuais. José Maria Eymael (DC), por exemplo, tem duas embarcações. De acordo com a declaração de bens do candidato, uma vale R$ 7.000,00 reais e a outra, R$ 123.770,00.

Segundo o político, trata-se de uma lancha e sua balsa salva-vidas. “Essa lancha está na marina Indaiá em Bertioga [litoral de SP]”, explicou o presidenciável. Ele mesmo pilota o barco — disse que tem habilitação para navegar até em alto mar.

Há mais uma embarcação declarada entre os bens dos candidatos. O proprietário é João Amoêdo (Novo), e o valor é R$ 4.127.245,00.

Eymael declarou também ter uma linha telefônica de R$ 13.610,16. Seriam ações advindas de linha telefônica adquirida no passado. Tempos atrás, quem adquiria uma linha via o valor convertido em participações na empresa de telefonia. Eram artigos caros, e precisavam ser declarados no imposto de renda.

Há candidato que mantém milhões no exterior. Trata-se de Henrique Meirelles. Ele informou à Justiça Eleitoral ter R$ 6.895.891,05 em uma conta corrente fora do Brasil.

Para pessoas comuns, parece muito dinheiro. Mas a cifra se dissolve nos R$ 377.496.700,70 que totalizam o patrimônio declarado pelo ex-ministro da Fazenda ao TSE.

Manter dinheiro no exterior não é crime quando a quantia é informada à Receita Federal. Além disso, o ministro já morou fora do Brasil, o que pode ter motivado a criação da conta.

Outra forma de patrimônio inusual nos dias de hoje foi declarada tanto por Meirelles quanto por Eymael – e também por João Amoedo (Novo). Todos eles informaram à Justiça eleitoral serem proprietários de joias, objetos de arte, antiguidades ou similares.

O candidato da Democracia Cristã tem R$ 4.163,84 investidos nessa modalidade. Um cifra modestíssima se comparada aos outros dois. Meirelles tem R$ 917.287,33. Amoêdo chega aos seis dígitos: R$ 1.173.645,00.

Vindos do mercado financeiro, os dois são com folga os mais ricos entre os 13 presidenciáveis. Veja a seguir o patrimônio total de cada um. O Terra organizou por ordem decrescente de valores:

  • João Amoêdo – R$ 425.066.485,46
  • Henrique Meirelles – R$ 377.496.700,70
  • João Goulart Filho – R$ 8.591.035,79
  • Lula – R$ 7.987.921,57
  • José Maria Eymael – R$ 6.135.114,71
  • Álvaro Dias – R$ 2.889.933,32
  • Jair Bolsonaro – R$ 2.286.779,48
  • Ciro Gomes – R$ 1.695.203,15
  • Geraldo Alckmin – R$ 1.379.131,70
  • Marina Silva – R$ 118.835,13
  • Vera Lúcia – R$ 20.000,00
  • Guilherme Boulos – R$ 15.416,00
  • Cabo Daciolo – R$ 0,00

Mesmo estando no Congresso Nacional desde 2014, Cabo Daciolo (Patriota) não declarou bem algum. O salário de deputado é de R$ 33,7 mil.

Guilherme Boulos (Psol) e Vera Lúcia (PSTU) declararam pouca coisa mais que Daciolo. O primeiro afirma ter apenas um automóvel no valor de R$ 15.416,00. A segunda, um terreno de R$ 20.000,00.

16/08/2018

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